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Documentário sincero mostra porque o Barão Vermelho é assim desde 1981

15/03/2017

No momento em que o Barão Vermelho passa pelo mais radical processo de transformação do grupo carioca, com a entrada do cantor e guitarrista Rodrigo Suricato no posto ocupado por Roberto Frejat desde 1985, a cineasta Mini Kerti documenta a trajetória de 36 anos da banda formada em 1981 em longa-metragem programado para estrear em maio deste ano de 2017 diretamente na televisão, no Canal Curta!. Produzido pela Conspiração Filmes, com o aval e a colaboração da banda, o documentário Barão Vermelho – Por que a gente é assim? responde a pergunta do título, feita também na música homônima de Frejat, Cazuza (1958 –  1990) e Ezequiel Neves (1935 –  2010) gravada em 1984 tanto pelo Barão como pelo cantor Ney Matogrosso, importante na história da banda por ter gravado no ano anterior Pro dia nascer feliz (Frejat e Cazuza, 1983) quando o Barão Vermelho ainda era pouco conhecido.

As respostas surgem dispersas quando, nos depoimentos dados pelos barões na reunião promovida no estúdio da gravadora Som Livre pela produção do filme, os músicos do grupo revelam motivações e razões para afinidades, estranhamentos, aproximações, rupturas e deserções comuns em qualquer banda de vida longa. É quando o baixista Dé Palmeira, por exemplo, conta que saiu brigado da banda antes da gravação do álbum Na calada da noite (1990) porque se viu sem espaço como compositor no repertório que então priorizava as parcerias de Frejat com o baterista Guto Goffi, membro fundador do Barão e, a partir da turnê prevista para este ano, o único músico presente em todas as formações da banda.
 
"A gente se aproximou depois, mas nunca mais foi a mesma coisa", admite Goffi. Além de lembrar o embate que teve com o DJ Memê para se impor como músico ao longo da produção do álbum em que o Barão envolveu o rock em beats eletrônicos, Puro êxtase (1998), o baterista também revela que o primeiro momento de ruptura com Frejat foi quando o guitarrista decidiu sair em carreira solo, deixando o Barão em recesso e sem data certa para voltar à cena.

Mesmo respeitando os limites da intimidade consentida, os músicos rememoram a trajetória do Barão com pés no chão e com orgulhos legítimos, mas sem glorificações. Cazuza, por exemplo, é retratado sem retoques, com as tintas fortes do precoce talento de letrista – é emocionante ver e ouvir Frejat se emocionar com a densidade poética de Todo amor que houver nessa vida (Frejat e Cazuza, 1982) ao tocar a canção no estúdio em take feito para o documentário – e da loucura irrefreada (assumida pelo próprio Cazuza em trechos de entrevistas reproduzidas no filme).
 
Sexo não entra no foco dos depoimentos, mas as drogas e a devoção ao rock'n'roll são recorrentes no documentário valorizado por toscas, mas fundamentais, imagens de arquivo como a de um ensaio seminal em 1981 na casa do pai do tecladista Maurício Barros, a de um show ainda incipiente feito em 1982 em condomínio da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro (RJ) e a de uma apresentação no carioca Parque Lage, também em 1982.

Roteirizado por Mini Kerti com Joana Ventura, Barão Vermelho – Por que a gente é assim? está enquadrado no formato convencional dos documentários, apresentando o tradicional mix de depoimentos (inéditos e antigos) com cenas de arquivo, mas escapa por instantes dos padrões quando um texto entusiástico de Ezequiel Neves sobre a primeira fita demo do grupo é ouvido na voz de Sérgio Serra (o guitarrista que chegou a tocar com o Barão, mas que nunca foi efetivado na banda, para assumida tristeza do músico) enquanto as palavras de Ezequiel explodem na tela em letras garrafais, como um lyric video.

Para quem desconhece a trajetória do Barão, o documentário cumpre a função de narrar, em ordem cronológica, os principais fatos, discos e shows do grupo de pegada stoniana. Como, por exemplo, a ascensão do grupo ao mainstream já no terceiro ano de vida com a explosão de Bete Balanço (Cazuza e Frejat, 1984) e o sucesso da turnê nacional com o show inspirado no terceiro álbum do grupo, Maior abandonado (1984). O filme nada acrescenta a tudo o que já se sabe sobre a intempestiva saída de Cazuza em 1985, mas a análise dos álbuns revela fatos já esquecidos como a má receptividade por público e crítica de Carne crua (1994), o álbuns mais roqueiro da discografia do Barão, admirado somente pelos viciados em rock.

Entre altos e baixos, e entre idas e vindas do tecladista Maurício Barros, os músicos da banda se expõem com aparente sinceridade diante das câmeras dirigidas por Mini Kerti. Se a turnê com Suricato se revelar um passo em falso nessa trajetória digna, o supra-sumo da história do Barão Vermelho já está perpetuada neste documentário que seduzirá quem viu nascer e crescer a geração 1980 do pop rock brasileiro. Sim, o Barão Vermelho foi assim até 2016. (Cotação: * * * *)

fonte: G1 Música

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